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Paixão, fantasia e suspense em uma Macapá futurista dão o tom em Tarumã - Paixão e Caos

Em uma Macapá futurista, no ano de 2042, a presença ameaçadora de uma bruxa misteriosa e mortal faz com que as pessoas fiquem cautelosas em sair de suas casas após o anoitecer. Poucos se arriscam em saídas noturnas. Este é o cenário de Tarumã - Paixão e Caos, o novo romance de entretenimento do escritor Marvin Cross que está a venda em formato digital Kindle, na Amazon.

O Zezeu conversou com o autor e você acompanha a seguir.

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O Zezeu: Olá, Marvin. É um prazer conversar com você sobre sua carreira literária e seu novo livro Tarumã - Paixão e Caos. Para começar, conte-nos um pouco sobre sua trajetória como escritor. Quando e como você descobriu sua vocação para a escrita?

Marvin Cross: Desde criança eu sempre tive uma imaginação fértil. Sabia que eu queria fazer algo com as ideias que surgiam na minha mente, então pegava cadernos e fazia histórias em quadrinhos. Chamá-las de amadoras seria até um elogio, já que eu nunca tive o talento de desenhar. No entanto, o que me movia nessa “brincadeira” eram os enredos, geralmente inspirados nas coisas que eu via na TV (desenhos, novelas, filmes etc.). Até que um dia eu larguei de bancar o quadrinista e passei a focar no que realmente era possível para dar vazão à imaginação: escrever.

 

O Zezeu: Seu nome é Marcos Vinícius Borges. Como surgiu o pseudônimo Marvin Cross? Por que você optou por usar um nome diferente?

MC: Algumas histórias que eu mostrava para a galera do colégio eram assinadas com meu nome real. Esse negócio de Marvin Cross eu nem me lembro quando iniciou exatamente. O que eu sei é que um amigo achou legal como soava um apelido a partir da junção do meu nome composto (Marcos Vinícius), destacando-se as primeiras sílabas de cada, e eu curti a ideia. O “Cross” veio porque eu sempre tive uma ligação muito especial com a fé que eu professo, que é a cristã. Então às vezes eu desenhava uma cruz ao lado do nome Marvin, até que um dia eu resolvi transformar esse desenho numa palavra, um “sobrenome” que me associasse a algo que eu considero muito importante. Preferi “cross” (cruz, em inglês) meramente por achar que soaria melhor, artisticamente falando.

 

O Zezeu: Você transita por vários gêneros literários, mas qual é o seu gênero preferido e por quê?

MC: Eu gosto muito de livros de suspense pela facilidade com que esse tipo de leitura flui, além de me entreter e divertir. Quando eu busco uma leitura com a qual eu sei que não vou gastar muito tempo pra terminar, geralmente pego um título nessa vibe. Adoro o desenrolar dos acontecimentos, acompanhar as investigações, me surpreender com as reviravoltas, compreender como o autor ou autora foi encaixando as peças e ajustando os detalhes. No entanto, para escrever, eu procuro me concentrar em algo para o qual a minha imaginação e criatividade estejam mais inclinadas no momento, o que explicaria eu ler poesia ou terror no tempo livre, mas artisticamente estar envolvido num projeto que pouco tenha a ver com tais gêneros.

 

O Zezeu: Você já publicou vários livros, entre eles a série de comédia dramática Desapaixonante, que é a sua obra mais notável até o momento. Como surgiu a ideia dessa série e qual foi a sua inspiração?

MC: Desapaixonante veio do meu hábito de alimentar um antigo blog com contos e crônicas, geralmente de teor cômico, muito inspirados pelo mestre Luís Fernando Veríssimo. Em abril de 2015, ao ter uma ideia para uma nova crônica (na qual uma mulher perderia o encanto por um rapaz ao perceber que ele cometia erros gramaticais terríveis), cheguei em casa e compartilhei com a minha esposa a ideia de fazer disso algo maior. Ela adorou e me incentivou imediatamente. E naquele mesmo dia fui incrementando o enredo inicial, criando um pano de fundo extremamente básico para escrever o primeiro capítulo de algo que até então eu não fazia ideia do quanto ia durar ou se ia durar. A ideia da moça que se desapaixona por conta dos erros gramaticais do rapaz acabou se tornando apenas um elemento em meio a tantos outros que foram inseridos. Eu tenho uma veia cômica que geralmente se percebe quando estou entre amigos ou num contexto em que eu possa deixá-la fluir, além de ser fã de muitas séries de comédia, tanto brasileiras quanto estrangeiras, e Desapaixonante foi minha chance de me desafiar a fazer as pessoas rirem ao simplesmente lerem o texto. É uma história que flerta fortemente com o absurdo e a falta de lógica, com piadas de referência, linguagem ágil que mescla o coloquial ao formal, ao mesmo tempo em que aos poucos explora as mentes e almas de seus personagens, fazendo com que haja algumas mensagens importantes ao longo da trama.

O Zezeu: E o que você pode nos contar sobre o seu novo livro, Tarumã - Paixão e caos? Qual é o gênero, o enredo e os personagens principais dessa história? Qual foi a sua motivação para escrever esse livro e o que você quis transmitir com ele?

MC: O embrião de Tarumã é anterior à criação de Desapaixonante. Eu senti vontade de trazer para o cenário urbano e moderno as criaturas do nosso folclore brasileiro. Cheguei a esboçar uma lista com elementos que gostaria de incluir, mas só ficou na intenção. Dois anos depois, veio Desapaixonante e foquei totalmente nele. Até que em 2020, me animei para participar de um prêmio literário da editora Darkside, que costuma publicar livros de horror e fantasia, e repesquei a ideia da narrativa folclórica. Desde sempre eu sabia que ela teria uma tendência voltada para o terror, algo para o público mais adulto por conta de descrições de sexo e violência. Só que a ideia de se chamar Tarumã não existia ainda. Passou a existir apenas quando parei pra pensar em como desenvolveria o projeto, pois eu gosto muito dessa lenda local, sou fã da música escrita pelo Osmar Junior. Decidi que iria fazer uma releitura dessa lenda, respeitando seus pontos principais, mas tudo adaptado à realidade que eu imaginei. O objetivo, então, passou a ser não apenas retratar o folclore brasileiro, mas também e sobretudo a cultura amapaense, pois o cenário do livro é Macapá no ano de 2042, onde a população vive debaixo de um sentimento negativo e amedrontado por conta da presença de uma bruxa perigosa que perambula à noite e nunca se sabe onde ela pode aparecer. Além disso, o protagonista, que tem poderes dados pelo deus Tupã de se comunicar com os seres da fauna e da flora, recebe uma proposta de trabalho para ajudar numa investigação sobre mortes de animais que vem acontecendo por todo o Amapá, serviço para o qual ele tem de usar seus poderes. Enquanto o enredo se desenrola, vários fatos aparentemente desconexos se interligam, personagens se cruzam e o desfecho entrega momentos dramáticos, fortes e inesperados.

Eu categorizo o livro nos gêneros de horror e fantasia urbana. Seus personagens principais são o indígena Ubiraci (nome usado no registro da lenda Tarumã no livro de Joseli Dias, Mitos e lendas do Amapá) e uma moça misteriosa chamada Mayane, que também tem ascendência indígena.

Esse livro tem várias intenções: entreter, fazer refletir, oferecer uma produção em prosa que consiga alcançar com facilidade leitores do Amapá e de qualquer ponto do Brasil (o que já tem acontecido, pois até o momento a maior parte dos leitores de Tarumã não é amapaense e o fato de ser uma história com ambientação diferente do habitual tem se mostrado atrativo para várias pessoas). Não tenho a menor intenção de produzir “alta literatura”, no sentido elitista intelectualizado do termo, mas oferecer um trabalho agradável a quem se interessa pelos gêneros propostos.

O Zezeu: Como foi o seu processo de pesquisa, de criação e de escrita desse livro? Quanto tempo você levou para concluí-lo?

MC: O livro começou a ser escrito em 2020, mas ele ficou parado em 13 ou 14 capítulos. No prêmio literário que eu iria inscrevê-lo, havia uma categoria para projetos inacabados, e eu então resolvi concorrer a isso. Porém, não deu certo e Tarumã ficou “engavetado”. Eu enviei esses capítulos a várias pessoas, troquei muitas ideias com elas, fiz alterações, cortes, incluí coisas, melhorei outras, mas abandonei. No finzinho de 2022 eu pensei seriamente em retomar e comecei a fazer inúmeras pesquisas na internet a respeito de tudo que eu achasse interessante sobre o folclore brasileiro. Descobri que existem informações demais misturadas com desinformações. Comprei alguns livros de estudiosos realmente comprometidos com o tema, entre eles o mais notório, que é o Câmara Cascudo, nome principal em se tratando de folclore brasileiro. Mergulhei nos livros adquiridos e isso me ajudou muito a construir e melhorar as minhas ideias. Obviamente, por se tratar de ficção, não tem como ser fidedigno a tudo, e a história precisa estar mais a serviço do autor do que o autor a serviço da história. Portanto, para seguir com a maneira como eu queria contar Tarumã, eu misturei um pouco da minha própria imaginação com as descobertas colhidas nas pesquisas.

De janeiro de 2023 a agosto do mesmo ano, consegui concluir o livro, sendo julho o mês mais produtivo. Por um bom tempo, essa foi a minha única atividade que não estava atrelada a trabalho ou relações familiares.

O Zezeu: Você disponibilizou Tarumã para download no Kindle. Será lançada também a versão impressa?

MC: Não tenho previsão, mas a vontade maior é de lançar Tarumã em versão impressa, com certeza.

 

O Zezeu: Como você concilia a sua atividade de escritor com a sua profissão de professor de Inglês na rede pública em Macapá? Como é a sua rotina de trabalho e de escrita?

MC: A atividade de escritor não me impõe uma obrigatoriedade, então é bem tranquilo conciliar. Durante os meses de 2023 em que eu me prontifiquei a terminar o livro, eu tive que ir encontrando brechas, estipulando algumas regras, como escrever pelo menos um capítulo a cada vez que eu me sentava diante do computador, muitas vezes dormindo mais tarde. O que ajudou foi ter aberto mão de outras atividades que eu gosto, como ler e assistir filmes e séries. Foi aí que eu consegui encaixar a escrita do livro quando não havia outros momentos propícios. A atividade docente só me tirava desse propósito quando chegavam as épocas de correções de provas e lançamentos de notas.

 

O Zezeu: Para finalizar, quais são os seus planos e projetos futuros como escritor? Você já tem algum livro em andamento ou em mente?

MC: Tenho algumas ideias para próximos projetos. Quero trabalhar num livro de suspense sobre escritores. Tenho muita vontade de escrever algo para a faixa etária de 10 a 14 anos, que é a idade dos meus alunos, mas infelizmente ainda não tive a ideia certa para um projeto. E como sou cristão, também tenho uma ideia para um livro com uma pegada mais dramática cujos centrais devem ser fé e saúde mental. Mas como Tarumã me trouxe um considerável cansaço mental esse ano, por enquanto deixo essas ideias pairarem, esperando qual delas vai escapar primeiro.

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