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"Desterra", o novo livro de poemas de Gabriel Yared

Uma obra de profunda introspecção e sensibilidade

Desterra (Folheando; 2023), o novo livro de poemas de Gabriel Yared, emerge como uma obra de profunda introspecção e sensibilidade, desvendando as camadas mais íntimas da experiência humana em sua complexidade e diversidade. Dividido em três partes, o livro oferece uma jornada poética marcada por uma riqueza de temas e uma habilidade magistral na expressão poética.

Na primeira parte, intitulada "Desmama", Yared nos convida a adentrar o universo dos laços familiares e afetivos, onde as emoções fluem livremente em uma dança complexa entre o amor incondicional e os conflitos internos. Através de poemas como "Gênese" e "Teu Menino", somos conduzidos pela trajetória pessoal do autor, confrontando as expectativas impostas pela sociedade e pela própria família. A dualidade entre aceitação e rejeição de si mesmo é hábil e cuidadosamente explorada, proporcionando ao leitor uma visão íntima das batalhas internas enfrentadas por Yared.


Já na segunda parte, "Desterra", o autor mergulha de cabeça nas águas turbulentas da identidade e sexualidade, especialmente em um contexto onde as raízes árabes se entrelaçam com a vivência de ser um homem gay. Em poemas como "Anticristo" e "Árabe Viado", Yared confronta diretamente os preconceitos e estereótipos que permeiam sua jornada, desafiando as visões conservadoras e intolerantes da sociedade. Sua coragem em abordar temas controversos confere à obra uma relevância que ecoa no cenário contemporâneo, convidando o leitor a refletir sobre a necessidade de aceitação e respeito à diversidade.


Esta curta segunda parte do livro, composta por apenas três poemas, amplia ainda mais o horizonte da obra, explorando as complexidades da identidade cultural e as dinâmicas de poder que moldam as experiências dos imigrantes. Yared não apenas compartilha suas próprias vivências, mas presta homenagem àqueles que vieram antes dele, celebrando a resiliência e determinação daqueles que enfrentaram o desterro em busca de uma vida melhor. Poemas como "Desterra" e "Sementes" ecoam a voz dos antepassados, mostrando como as histórias entrelaçadas de diferentes povos contribuem para a riqueza da identidade brasileira.

Finalmente, a terceira parte, "Desama", mergulha nas profundezas do amor e da desilusão, revelando as cicatrizes emocionais que moldam a jornada do poeta. Em poemas como "carnival sunset" e "você precisava me matar hoje?", somos confrontados com a intensidade das emoções humanas, da melancolia à raiva, da esperança à resignação. Yared habilmente captura a essência desses sentimentos em uma linguagem vívida e emotiva, convidando o leitor a se perder na profundidade de suas palavras.

No cerne de "Desterra" reside uma poesia que transcende as fronteiras do tempo e do espaço, ecoando as vozes dos que vieram antes e dando voz às experiências daqueles que ainda estão por vir. Gabriel Yared demonstra uma maestria notável na arte da expressão poética, oferecendo ao leitor uma jornada íntima e enriquecedora através das paisagens da alma humana.

Gabriel Yared é um escritor macapaense de ascendência árabe e libanesa. É estudante do curso de Letras Francês da UNIFAP.

É editor-chefe da revista digital Égua Literária, que publicou, entre 2021 e 2023, contos fantásticos escritos por autores da Região Norte do Brasil. Seu romance de estreia chama-se Semente de Sangue (Corvus; 2021). Seu primeiro livro de poemas chama-se "As flores e as dores que ele me deu" (2022). O livro foi adaptado para o cinema em curta de mesmo nome, co-dirigido por Yared e Lucas Carvalho e co-escrito em parceria de Yared e Ian Reis, alcançando festivais nacionais e internacionais de cinema. "Desterra" (Folheando; 2023) é seu segundo livro de poemas.

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