top of page

Ensaios no Meio do Mundo


Águas Vermelhas | Atacília Costa Reis*
Imagem de satélite da Foz do Rio Amazonas. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Amazon_River_ESA387332.jpg Às margens do rio Cunani, em uma pequena aldeia, morava Amanara com a sua família. Ela adorava ouvir o som da água, o canto dos pássaros, o vento balançando as árvores e sentir o cheiro do barro. Para ela, a terra tinha um perfume único. Amanara amava observar sua mãe manejar o barro e transformá-lo em lindas urnas, que eram usadas como morada para os m
há 10 horas4 min de leitura


Memória de um lampejar | Vanuely Batista*
Urna funerária antropomorfa. Acervo do Museu Nacional/UFRJ, Rio de Janeiro-RJ Antes se via uma ou outra urna, Antes vivíamos em paz, Antes adorávamos nossos deuses E a natureza era o nosso lar. Mas tudo se dissipou quando os vimos, Barco a velas, caravelas em alto mar, Dali vinha o mal presságio, Que um dia ia nos dizimar. Nas histórias que os mais velhos contavam, Dizia-se que um dia vocês iam chegar, mudando nossas vidas, Para nos amaldiçoar. E assim aconteceu, Mais urnas a
há 10 horas2 min de leitura


O Destino do Acaso | Felipe Raiol*
Landscape. Road with Trees in Rocky Mountains (1870 – 1871) | Paul Cézanne (French, 1839-1906) Uma roda escapou. Rolou pra longe. Sumiu na grama. Quando percebi, a roda rolou lentamente até um bueiro distante e escuro. Saltei da carruagem, desnorteado, em busca do meu lapso de liberdade. Ajoelhei-me, olhei o mais fundo que pude para o interior das sombras e me deparei com algo incomum. Havia uma cidade lá embaixo, erguida em ferro e vidro. Hipnotizado pela visão fantástica, d
26 de mai.1 min de leitura


Poemas | Ana Camilly Garcia*
Créditos da imagem: Aerial view of the Amazon Rainforest. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aerial_view_of_the_Amazon_Rainforest.jpg Pindorama De longe os observei chegando, Em suas estruturas de madeiras Gente pálida, cobertos de pano Cobrindo suas partes... Por que estão envergonhados? Quando desceram, não sentiram vergonha... Maldito kari, o que queres aqui? Cacique foi até eles, cobriram-no o Tacoaýa Nos mostraram objetos, um que reflete a cara e o ou
25 de mai.3 min de leitura


As rotas que levam de volta para você | Tay*
Portrait of a Woman (Young Woman) (1893) - Józef Pankiewicz (Polish, 1866 - 1940) O jeito que ela sumiu me fez chorar, eu preciso me acostumar com a ausência, a falta dos toques sem perceber, os olhares que se procuravam em meio à multidão, os beijos carregados de saudades. Eu quase posso senti-los, mas me escapam como fumaça sumindo no ar. A sua ligação que não recebo mais. O desaprender de nossos hábitos. Eu recalculo a rota para te esquecer. Se eu dobrar a rua que você mor
8 de mai.2 min de leitura


A Última Lembrança do Sol | Dauan Lopez*
A grama, entre o verde e o cinza, crescia lenta, tomando os pequenos degraus da escada que levava à entrada de uma casa branca, opaca, quase sem memória de si. Ali morava um senhor de idade. Estava sozinho naquela casa grande demais para um único corpo. Nunca se casara. Nunca tivera filhos. A família, distante — tão distante quanto aquilo que já não conseguia lembrar. Sua memória já não obedecia como antes; falhava, apagava, desfazia contornos. Ainda assim, havia algo que per
24 de abr.2 min de leitura


Quebra-cabeça | Daniela Rodrigues*
Mother (Mother with a Child and a Flower) (1937) - Mikuláš Galanda (Slovak, 1895 – 1938) A madrugada despontou sem que o dia findado tivesse descansado. Aquele corpinho encolhido sobre a cama, sentindo minha presença agarrada ao cheiro dos lençóis como se ali estivesse meu abraço. Meia-noite, uma hora, uma e meia, duas horas… Enfim pude também descansar. Um beijo demorado no rosto da pequena compensando a minha ausência. Viro para um lado, viro para o outro, o sono não chega.
24 de abr.2 min de leitura


No canto (Para Luana Tainá) | Dauan Lopez
Estive no canto — não à direita da esperança, mem à esquerda do fim. Era um intervalo suspenso, um traço entre dois abismos que insistiam em me chamar de mim. Entre a vida e a morte fiz morada, não como quem vive, nem como quem parte. Fui o meio exato da estrada quebrada, o eco da dúvida na própria verdade, a metade ausente da minha metade. Preso no canto do quarto e do ser, onde a sombra aprende a me conhecer. Ali, o silêncio gritava meu nome, e a ausência tinha o meu so
11 de mar.2 min de leitura


A Reprodução Social da Violência Contra a Mulher: Um Estudo Entre Literatura e Cinema | Por Dauan Lopes
Clara dos Anjos (1948) , de Lima Barreto, é uma narrativa dolorosamente lúcida sobre a vulnerabilidade feminina em um Brasil marcado pela desigualdade, pelo racismo estrutural e pelo moralismo hipócrita. Clara, jovem negra e filha de um carteiro do subúrbio, cresce entre sonhos singelos e limites silenciosos, impelida por uma realidade que a enxerga menos como pessoa e mais como destino pré-escrito. A obra desmonta, com rigor e tristeza, a ilusão de que a sociedade protege su
19 de fev.4 min de leitura


Luzes do céu e da alma | Daniela Rodrigues
Existe em mim um espírito que ninguém consegue arrancar. Todo ano ele floresce, e é impossível escondê-lo. Costuma despertar no início de novembro, quando o tempo muda e o céu do Amapá parece acompanhar a transformação que acontece dentro do meu ser. As árvores, em lugar de flores se vestem de luz, uma esfera divina une céu e terra em sintonia perfeita. Lembro-me do meu tempo de criança quando íamos para o interior, reencontrar os familiares, quatro horas viajando de barco, c
24 de dez. de 20252 min de leitura


Vermelho | por Dauan Lopez
O vermelho era chama — intenso, pulsante, cheio de vida. Caminhava pelo mundo com firmeza, certo de si, e sua presença era sempre lembrada. As outras cores o admiravam, diziam que nele havia algo de raro, de inconfundível, e que jamais se deixava dissolver em qualquer mistura. Ele brilhava sozinho, inteiro. Mas um dia, entre idas e vindas, encontrou o azul. Um azul suave, sereno, quase etéreo. Havia nele a quietude das madrugadas e o frio delicado das águas profundas. O verme
27 de nov. de 20255 min de leitura


A bolsa Amarela de Lygia Bojunga | Stefanne Martel*
Karina Herrmann Kuschnir, 2013 Lygia Bojunga, nascida em Pelotas, Rio Grande do Sul, no dia 26 de agosto de 1932, é uma escritora...
21 de ago. de 20253 min de leitura


Aurélio e as Memórias Que Não Morrem |Dauan Lopez*
Pisces (1603); Johann Bayer (German, 1572 – 1625) No dia em que Bernardo completou oito anos, o mundo parecia feito de fitas coloridas...
21 de ago. de 202512 min de leitura


Mente vazia, oficina do diabo | Sarah Luíza
The Little Devil of Florence (1907); David Young Cameron (Scottish, 1865 - 1945) David Young Cameron (Scottish, 1865 - 1945) Pele coberta...
25 de jun. de 20251 min de leitura


A Bolsa Amarela: Desejos, identidade e resistência no universo infanto-juvenil | J. Machado
Foto: Jeniffer Yara (2024) A escritora Lygia Bojunga Nunes nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 26 de agosto de 1932. Formada em...
25 de jun. de 20253 min de leitura


Ela Não Mora Mais Aqui | Dauan Lopez
The Bag of Coffee (1920); Juan Gris (1887-1927) Juan Gris (Spanish, 1887-1927) As janelas estavam abertas, mas o ar não entrava. O...
25 de jun. de 20258 min de leitura


Você vem me assombrar | Dauan Lopez
Eu poderia deitar, deixar tudo calar, Fechar os olhos e nunca mais levantar; Mas o que viria, depois do fim? Apenas o eco do que restou...
25 de jun. de 20252 min de leitura


Da ponte pra cá | Alan R. A. Silva
The Unsafe Tenement (1858), de James Abbott McNeill Whistler (1834-1903) Em uma tarde quente de sol escaldante em Macapá, observo...
9 de jun. de 20252 min de leitura


Ela | Raynah Freitas
Atenção: O conteúdo a seguir pode ser sensível para algumas pessoas, se você é uma pessoa sensível ao tipo de assunto abordado no texto,...
20 de mai. de 20253 min de leitura


MAYA | Stefanne Kamilly Martel Magalhães
La Donna Della Finestra [The Lady of Pity] (1881) Dante Gabriel Rossetti (English, 1828 - 1882) Maya sempre foi considerada uma garota...
20 de mai. de 20255 min de leitura
bottom of page
