O Destino do Acaso | Felipe Raiol*
- Silvio Carneiro
- 26 de mai.
- 1 min de leitura

Uma roda escapou. Rolou pra longe. Sumiu na grama. Quando percebi, a roda rolou lentamente até um bueiro distante e escuro. Saltei da carruagem, desnorteado, em busca do meu lapso de liberdade.
Ajoelhei-me, olhei o mais fundo que pude para o interior das sombras e me deparei com algo incomum. Havia uma cidade lá embaixo, erguida em ferro e vidro. Hipnotizado pela visão fantástica, desequilibrei-me e fui engolido pelas trevas.
Uma ventania quente me guiou até pousar no solo. Meu coração batia forte, os poros do meu rosto espirravam suor frio; eu sentia medo... Principalmente porque a ilusão se desfez e, ao fitar mais de perto a cidade, não reconheci onde eu estava.
— Que foi? — indagou uma voz. — Aqui é assim mesmo. Tudo enferrujado. Todo quebrado.
Um homem de muita idade e pouca estatura surgiu do acaso para me recepcionar. Vestia poucas roupas, calçava poucos sapatos e sorria muito pouco.
*O autor
Nascido em Macapá e crescido pelos bairros da zona sul, iniciei na escrita muito cedo com poemas e pequenas histórias. Sempre gostei muito de cultura pop, história e arte. Após ter tido a oportunidade de dar luz a algumas obras que criei através da editora O Zezeu, adentrei na Universidade Estadual do Amapá para continuar alimentando minha ambição de ver nossa sociedade viva, consciente e amável.
Este texto é fruto da oficina de escrita criativa organizada pelo Coletivo Ventos do Norte e ministrada pelo prof. Dr. Luciano Duarte (UEAP).




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