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Como a erudição pavimenta o fim da democracia a partir da literatura
Existe um mito reconfortante e perigosamente ingênuo no qual as pessoas do campo progressista acreditam: a ideia de que a leitura, por si só, é o antídoto contra o fascismo. Nós nos apegamos à fantasia de que o autoritarismo é um subproduto exclusivo da ignorância e de que basta entregar um livro a um extremista para que ele, subitamente iluminado, abandone seu radicalismo. Mas a História, sempre cruel com os otimistas, nos lembra de um detalhe incômodo: a barbarie frequentem
Silvio Carneiro
há 5 dias3 min de leitura


A Sobrevivência do Escritor e as Eleições de 2026
Para você, que banca seu próprio livro luta para furar a bolha do algoritmo das redes sociais, a política em Brasília parece distante. Mas não é. A eleição de 2026 entre os projetos de Lula e Flávio Bolsonaro bate diretamente na sua tela, no seu custo de produção e na forma como você encontra seus leitores. Como alguém que acompanha os bastidores desse mercado já há alguns anos, preciso te dizer: Historicamente, os governos petistas e o governo Bolsonaro operaram com filosofi
Silvio Carneiro
23 de out.3 min de leitura


O Fim de um Ciclo no Equador: A Fragilidade do Mercado Cultural e a Reconfiguração do Amapá
Quem conhece a cadeia produtiva da cultura sabe que um livro, um filme ou uma roda de Marabaixo não existe para o vazio. A arte pode ser sublime, mas o ecossistema que permite que ela chegue ao público é feito de planilhas, editais, rodadas de negociação e muita, muita vontade política. Ontem, quando as urnas falaram no Amapá neste primeiro turno de 2026, decretando a vitória de Antônio Furlan sobre o atual governador Clécio Luís, o que os fazedores de cultura sentiram não fo
Silvio Carneiro
5 de out.4 min de leitura


Quando o autor é a sua pior ficção
Na era das editoras caça-níqueis e da inteligência artificial, uma praga assola o mercado editorial: o pseudo-escritor que desiste de criar boas histórias para inventar a própria biografia. Quem conhece o mercado editorial sabe que um livro nasce na solidão do pensamento de um autor, mas só sobrevive se aprender a galgar uma cadeia produtiva implacável: os custos da publicação, as comissões das distribuidoras, a guerra por um centímetro de prateleira de vitrine das grandes li
Silvio Carneiro
30 de set.3 min de leitura


A Ilusão de 2 Megabytes: Por que o futuro da literatura independente voltou a ser de papel?
Por Silvio Carneiro Houve um tempo recente em que o sucesso de um escritor independente parecia se retomar a um clique. A promessa era sedutora, quase mágica: transformar seu manuscrito em um arquivo digital, subir em uma plataforma global e, subitamente, o mundo inteiro seria sua vitrine. Durante anos, autores de todas as regiões — e o Amapá não fugiu à regra — pagaram caro para que editoras caça-níquel embalassem seus sonhos no formato e-book. Eles venderam a comodidade. O
Silvio Carneiro
13 de set.3 min de leitura


A Fábrica de Miragens: Como a preguiça jornalística alimenta falsos heróis
O mercado editorial é, em sua essência, uma máquina de vender narrativas — e não estou falando apenas daquelas impressas nas páginas dos livros. Quem transita pelos bastidores das grandes feiras sabe que a persona do autor é frequentemente tão esculpida pelos departamentos de marketing quanto o texto o é pelos preparadores e editores. No eixo principal do mercado, isso é feito com orçamentos milionários e relações públicas calculadas. Mas o que acontece quando nos afastamos d
Silvio Carneiro
2 de set.3 min de leitura


A Gaiola do Regionalismo: Como o rótulo de "literatura amapaense" sabota os autores na prateleira
Ano passado, quando participei (como ouvinte) de uma mesa de editores na Flipelô, um dos palestrantes contava que nos corredores de uma das maiores feiras literárias do país, ele esbarrou com um livreiro independente e um olheiro de uma gigante multinacional. O assunto era um manuscrito brilhante que vinha do Norte do país. O livro tinha tudo: um thriller psicológico denso, prosa afiada, personagens moralmente ambíguos. Mas, quando o projeto chegou à mesa do conselho editoria
Silvio Carneiro
29 de ago.6 min de leitura


Humberto Moreira: O mestre que ensinou o Amapá a ouvir
Uma homenagem ao ícone do rádio e do jornalismo amapaense, cuja voz e humildade marcaram gerações. Por Silvio Carneiro | 27 de julho de 2026 Em março de 2005, iniciei minha carreira de professor no curso de Jornalismo da extinta Faculdade Seama. Fazia pouco mais de dois meses que eu havia desembarcado de mala e cuia em Macapá, e aquela seria minha primeira experiência em sala de aula. Lembro-me bem daquela noite. Na sala dos professores, uma conversa rolava animada entre os v
Silvio Carneiro
27 de jul.4 min de leitura


A Era de Ouro da Literatura Amapaense e o Fim dos Feudos Literários
A Leitora, óleo de Jean-Honoré Fragonard, 1770–1772 Em seu primeiro livro de crônicas, “Telas e Quintais” (1986), nosso saudoso Fernando Canto foi cirúrgico ao analisar “A questão da literatura amapaense”. Dizia o mestre: Ainda hoje a “literatura amapaense” vive um período de narcose ou letargia, numa profunda sonolência, causada pela carraspana do egoísmo, da pseudo-intelectualidade e da megalomania, aliados à falta de talento e à mediocridade. (…) Temos exemplos amargos,
Silvio Carneiro
16 de jul.3 min de leitura


Gatos por lebres
O mercado editorial é, frequentemente, vítima de uma esquizofrenia romântica. De um lado, temos a aura intocável do "escritor", o artesão das ideias; do outro, a engrenagem pesada, suja de tinta e movida a planilhas financeiras, que transforma essas ideias em um produto físico de 300 páginas. Quando esses dois mundos colidem sem o devido preparo, o resultado costuma ser um choque de egos e um festival de desinformação. É exatamente esse choque que vem acontecendo pelos "corre
Silvio Carneiro
25 de jun.4 min de leitura


A quem interessa dificultar o processo? O labirinto burocrático do CEPC-AP
Quando o Estado se propõe a criar mecanismos públicos de participação da sociedade civil em políticas, o objetivo primordial deveria ser a democratização do acesso.No entanto, o Regulamento Eleitoral do Conselho Estadual de Política Cultural do Amapá (CEPC/AP) para o segmento da Literatura parece remar na direção oposta. Ao analisar as regras impostas, fica a pergunta: a quem interessa dificultar tanto um processo que deveria ser puramente democrático? A resposta se desenha
Silvio Carneiro
29 de mai.3 min de leitura


Torcer pela Mangueira é torcer pela nossa terra!
A Estação Primeira de Mangueira levou para o mundo a história de Raimundo dos Santos Souza, o inesquecível Mestre Sacaca, guardião dos saberes da floresta, curandeiro, marabaixeiro e símbolo vivo da cultura tucuju. Um homem que preparava garrafadas, chás e unguentos, chamado de “doutor da floresta”, que unia ciência popular, fé e tradição afro-amazônica. Ao homenagear sua trajetória, o enredo exaltou a Amazônia negra e a força de um povo que resiste, cria e transforma. Para n
Lulih Rojanski
17 de fev.2 min de leitura


Ao leitor do futuro | Lulih Rojanski
Eu quero ter leitores, muitos leitores no futuro. Quero ter leitores agora também, aos milhares, mas hoje, particularmente, penso no leitor do futuro, aquele que tomará o livro nas mãos como uma relíquia de um passado distante, e que me lerá, com especial estranhamento às frases líricas, à linguagem poética, ao modo pretensioso de dizer coisas que todo mundo sabe como se fossem grandes novidades. Não vou arriscar maiores projeções para esse futuro, não sei como serão os autom
Silvio Carneiro
9 de mar. de 20253 min de leitura
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