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Torcer pela Mangueira é torcer pela nossa terra!

  • Lulih Rojanski
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura


A Estação Primeira de Mangueira levou para o mundo a história de Raimundo dos Santos Souza, o inesquecível Mestre Sacaca, guardião dos saberes da floresta, curandeiro, marabaixeiro e símbolo vivo da cultura tucuju. Um homem que preparava garrafadas, chás e unguentos, chamado de “doutor da floresta”, que unia ciência popular, fé e tradição afro-amazônica. Ao homenagear sua trajetória, o enredo exaltou a Amazônia negra e a força de um povo que resiste, cria e transforma.


Para nós, que vivemos no Amapá, não foi um desfile comum. É a primeira vez na história do Carnaval Brasileiro que a poesia de Joãozinho Gomes foi transformada em samba-enredo, em hino, e cantada por vozes de todos os cantos do País. Joãozinho é um artista que fez do Amapá sua inspiração maior e que traduziu em versos nossa ancestralidade e nossa esperança, através do samba “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, em parceria com Pedro Terra, Tomaz Miranda, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal.



A participação de Patrícia Bastos no coro da Estação Primeira de Mangueira, na execução do samba-enredo, foi um gesto carregado de simbolismo e orgulho para o Amapá. Com sua voz marcante, profundamente ligada às sonoridades amazônicas, Patrícia reforçou a autenticidade da homenagem e levou para a Marquês de Sapucaí a musicalidade que nasce às margens do Amazonas. Sua presença no coro representou o encontro entre a tradição da Nação Verde e Rosa e a força artística do povo tucuju, mostrando que o Amapá é protagonista, com seus próprios talentos brilhando no maior espetáculo da Terra.


O concurso que escolheu o samba reuniu compositores no Amapá e no Rio de Janeiro, culminando numa parceria que uniu grandes talentos. E o Governo do Amapá, por meio da Secretaria de Cultura, acreditou no projeto, investindo para que essa história fosse contada na maior vitrine do carnaval brasileiro, com apoio articulado por lideranças como o Senador Davi Alcolumbre e o Governador Clécio Luís.


“Quando o samba canta ‘Finquei minha raiz/ no extremo norte onde começa o meu país’, ele afirma que existimos ‘do Oiapoque ao Jari’, com nossas tradições quilombolas, indígenas e ribeirinhas. Quando saúda o curandeiro, o marabaixo, a benzedeira, o tambor, ele diz ao Brasil que não somos apenas uma Amazônia exótica vista de fora. Somos um estado com história, com intelectuais, com artistas, com empreendedores. Um estado que luta pelo crescimento da economia, mas que também entende que valorizar a cultura é preservar a própria vida”, declara a Secretária de Cultura Clícia di Miceli.


Quando os jurados abrirem as notas nesta quarta-feira de cinzas, nossa torcida será maior que qualquer quesito. Estaremos torcendo por uma agremiação que sempre apresentou na avenida os maiores espetáculos carnavalescos do país. Estaremos torcendo pelo Amapá, pelo nosso futuro, pela valorização da nossa cultura, pelo reconhecimento da nossa identidade. Estaremos torcendo para que o Brasil e o mundo enxerguem o Amapá em sua grandeza, para que reconheçam nossa cultura afro-indígena, nossa música, nossa literatura, nossa fé, nossa ciência tradicional.


Estaremos torcendo porque torcer pela Mangueira, neste enredo, é torcer pela nossa terra.


Saravá, Mangueira!


Saravá, Amapá!

 
 
 
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