Arte na Ponte leva arte, cultura e novas possibilidades para crianças de área de ressaca em Macapá
Atualizado: há 3 dias

Em meio às particularidades da vida em uma área de ressaca de Macapá, um projeto independente vem construindo pontes por meio da arte. Desde junho de 2024, o Arte na Ponte desenvolve oficinas artísticas e ações sociais voltadas, inicialmente, para crianças, oferecendo experiências culturais, momentos de aprendizado, convivência e, principalmente, um espaço para que possam criar e expressar sua imaginação.
Localizado na Segunda Avenida da Universidade, nº 476, o projeto nasceu a partir de uma experiência vivenciada por sua coordenadora, Emiliana Batista, durante um projeto de extensão da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Na ocasião, ela realizou uma oficina com crianças residentes na região e percebeu a importância de dar continuidade à iniciativa.
A experiência também revelou a realidade de que até então, as crianças daquele local tinham poucas oportunidades de acesso a atividades culturais. A partir dessa percepção, surgiu o desejo de criar uma iniciativa independente que pudesse aproximar a arte desse público e proporcionar novas experiências sem que as condições financeiras fossem uma barreira. Desde então, o Arte na Ponte passou a funcionar de maneira totalmente voluntária e sem fins lucrativos. O projeto disponibiliza gratuitamente todos os materiais utilizados nas atividades, além de oferecer lanche às crianças durante as oficinas. Em diversas ações, também são realizadas arrecadações e distribuídos brindes aos participantes.
Entre as iniciativas já realizadas estão campanhas para arrecadação de brinquedos. Depois das doações, as crianças receberam os brinquedos durante uma das atividades do projeto, transformando o momento de aprendizado em uma experiência ainda mais especial.
Arte como ferramenta de expressão
As oficinas são um dos principais pilares do projeto. A proposta é apresentar diferentes possibilidades artísticas e permitir que as crianças experimentem técnicas, materiais e linguagens variadas. Entre as atividades já desenvolvidas estão oficinas de aquarela, fotografia, pintura em gesso e pintura em tela. O contato com essas práticas oferece às crianças não apenas uma atividade de lazer, mas também um espaço para desenvolver criatividade, autonomia e expressão artística.
Atualmente, o projeto atende exclusivamente o público infantil. A expectativa, porém, é ampliar esse alcance e expandir suas ações socioculturais. "Futuramente, com a inauguração de um novo local, pretendemos alcançar outros públicos" destaca a coordenadora Emiliana Batista.
Além das oficinas realizadas no próprio projeto, a iniciativa também busca aproximar as crianças de espaços culturais e históricos de Macapá. Um dos passeios já realizados levou os participantes para conhecer a Fortaleza de São José de Macapá. A experiência despertou ainda mais o desejo de proporcionar novos encontros com outros lugares culturais da cidade.
Uma rede construída de forma voluntária
Para que todas essas ações aconteçam, o projeto conta com uma rede de voluntários que contribuem de diferentes maneiras. Fazem parte da equipe Choksu, Aylla Adriane, Rostan Martins, Jonayza Carvalho, Marco Aurélio, Erica Retinta, Marivane Duarte, Mariana Machado, Nícolas Gabriel, e a coordenadora e criadora do Arte na Ponte, Emiliana Batista.
Alguns voluntários atuam diretamente nas oficinas, compartilhando seus conhecimentos e experiências com as crianças. Choksu, Aylla Adriane e Erica Retinta, por exemplo, participam da realização de aulas e atividades artísticas.
Mas o trabalho vai muito além das oficinas. Há quem contribua com registros fotográficos, quem auxilie na preparação dos lanches, na organização dos materiais e na decoração do espaço. Também existe o trabalho realizado antes e depois de cada encontro, como montar o ambiente, organizar os materiais e deixar tudo limpo após a saída das crianças. Há ainda voluntários que colaboram financeiramente para que as atividades possam continuar.

Como o projeto não possui fins lucrativos, a manutenção das ações depende de iniciativas de arrecadação. Atualmente, Emiliana Batista realiza a venda de rifas e outras ações para conseguir recursos destinados às atividades e à estrutura do Arte na Ponte.
Além de oferecer oficinas, o Arte na Ponte representa uma tentativa de democratizar o acesso à arte e à cultura. Ao criar um espaço onde crianças de uma área de ressaca podem experimentar diferentes linguagens artísticas, receber materiais gratuitamente, conhecer espaços culturais e participar de atividades coletivas, o projeto busca ampliar as possibilidades que elas enxergam para si mesmas.
A iniciativa também mostra como ações independentes podem nascer de uma experiência simples e se transformar em um trabalho contínuo de impacto comunitário. O que começou a partir de uma oficina realizada durante um projeto de extensão ganhou novos caminhos e, desde 2024, vem sendo mantido pela dedicação de voluntários e pela mobilização da própria comunidade.
Com planos de ampliar o público atendido e realizar novos passeios e atividades culturais, o Arte na Ponte segue construindo, através da criatividade e da solidariedade, um caminho para que a infância também possa ocupar os espaços da arte e da cultura, porque, para essas crianças, ter acesso à arte não significa apenas aprender a pintar, desenhar ou fotografar. Significa também descobrir novas formas de olhar para o mundo e encontrar um lugar onde sua própria voz possa ser expressa.
Fotos: Emiliana Batista e Marco Aurélio




Comentários