Literatour destaca a potência da literatura infantil amapaense e apresenta obras que exaltam a cultura e a imaginação

A literatura produzida no Amapá é um território fértil de histórias, memórias, encantamentos e identidades. Com o propósito de dar visibilidade a essa riqueza, o projeto Literatour começa a apresentar seu acervo ao público e, neste mês de outubro, volta o olhar especialmente para as obras infantis, valorizando livros que despertam a imaginação, fortalecem as raízes culturais e aproximam as novas gerações da leitura.
Entre os destaques estão Pescadores de Sonhos, de Angela de Carvalho, conhecida carinhosamente como Angelita, e A Turminha do Laguinho, de Laura Cristina da Silva, a Laura do Marabaixo. Duas obras que, cada uma à sua maneira, convidam os leitores a mergulhar nas histórias do Amapá, seja pelas aventuras fantásticas de personagens ribeirinhos, seja pela riqueza cultural e histórica de um dos bairros mais emblemáticos de Macapá.
Em Pescadores de Sonhos, o cotidiano ribeirinho ganha contornos de fantasia e surpresa. Os protagonistas Assis e Junielson são dois meninos que saem para pescar e acabam encontrando algo muito além do que poderiam imaginar: uma pequena arca e um Saci bastante tagarela. A partir desse encontro inusitado, os garotos embarcam em aventuras incríveis, nas quais a imaginação transforma uma simples pescaria em uma experiência extraordinária. A narrativa aproxima o universo infantil das paisagens e vivências amazônicas, mostrando como a fantasia pode florescer a partir da realidade que nos cerca.

Natural de Macapá, Angela de Carvalho cursou Ciências Sociais e cultiva, desde sempre, uma profunda paixão pelos livros. Durante 25 anos, esteve à frente da Transa Amazônica Livros, contribuindo para a circulação de obras e o encontro de leitores com a literatura. Escritora, contadora de histórias e mediadora de leitura, também desenvolve o projeto “Angelita: Projeto Encontrar, Contar e Encantar”, reafirmando seu compromisso com a formação de leitores e com a magia que nasce quando uma história é compartilhada.

Outra obra presente no acervo é A Turminha do Laguinho, de Laura do Marabaixo, que conduz os leitores ao bairro do Laguinho, em Macapá, reconhecido como um importante berço cultural e histórico da população negra amapaense. A narrativa valoriza as tradições locais, a identidade afro-amapaense e a herança do marabaixo, manifestação cultural profundamente ligada à memória, à resistência e à ancestralidade do povo negro no Amapá.
Ao levar essa história ao público infantil, a obra contribui para que crianças conheçam e reconheçam a riqueza de suas próprias raízes, compreendendo a importância de preservar os saberes, as tradições e as expressões culturais que constituem a identidade do estado.
A autora, Laura Cristina da Silva, conhecida como Laura do Marabaixo, é pedagoga, pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica, compositora e escritora. Além de A Turminha do Laguinho, assina a obra Yana, a Menina de Tranças, ampliando sua contribuição para a literatura e para a valorização da cultura afro-amapaense.

Ao destacar esses títulos, o Literatour reforça a importância de reconhecer a produção literária local como parte fundamental da formação cultural e educativa das novas gerações. Mais do que apresentar livros, o projeto abre caminhos para que crianças e adultos descubram histórias que carregam a identidade de seu povo, celebram a diversidade e revelam a potência criativa dos escritores da região.
Neste mês de outubro, dedicado especialmente à literatura infantil no acervo do projeto, o convite é para que leitores de todas as idades se aproximem dessas narrativas e descubram a riqueza que nasce em terras amapaenses.
A literatura produzida no Amapá é potente, diversa e de qualidade. O Literatour reconhece essa força e transforma cada obra apresentada em uma oportunidade de valorizar autores locais, preservar memórias e cultivar, desde a infância, o amor pelos livros. Afinal, quando uma criança encontra uma história capaz de encantá-la, também descobre novas maneiras de enxergar o mundo e de reconhecer o lugar de onde vem.




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