Bruno Muniz é eleito para o Setorial de Literatura do Conselho de Cultura do Amapá com margem expressiva
- Silvio Carneiro
- há 7 horas
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Escritor assume a representação do setor para o biênio 2026/2028, em um momento em que as políticas públicas são cruciais para a superação de gargalos logísticos no mercado editorial da região Norte.
O escritor, músico e advogado Bruno Muniz foi eleito para representar o Setorial do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas no Conselho Estadual de Políticas Culturais do Amapá (CEPC/AP) durante o biênio 2026/2028. Na votação de hoje (28), o candidato, que reside em Macapá, obteve 48 votos contra 5 do seu concorrente, o também escritor Joel Gomes, do município de Laranjal do Jari.
A eleição para o conselho tem impacto direto no funcionamento da cadeia produtiva do livro no estado. Diferente dos grandes centros do Sul e Sudeste, o mercado editorial na Amazônia lida com desafios operacionais severos, como o alto custo de frete e o complexo logístico para distribuição de exemplares impressos e insumos gráficos. Nesse cenário, o CEPC/AP exerce um papel fundamental na formulação de editais e no direcionamento de recursos que viabilizam desde a impressão de obras independentes até a aquisição de acervos para bibliotecas públicas.

Perfil do novo conselheiro
Natural de Goiânia (GO) e radicado no Amapá há mais de uma década, Bruno Muniz consolidou sua trajetória na região integrando movimentos de fomento à cultura local, com destaque para sua atuação no Grupo de Artes Integradas Pena & Pergaminho.
No mercado editorial, o autor construiu uma bibliografia constante ao longo dos últimos anos. Estreou com Cem Versos Putos Sobre Mim (Kéops; 2016) e publicou Depois Vá Ver o Mar (Kéops; 2020). Mais recentemente, tornou-se o primeiro poeta brasileiro vivo a ter um livro de poemas publicado pela Editora do Senado Federal, Poesia Para Vilarejos (2024) e estrou como romancista em Emília (O Zezeu; 2024). Ao longo de sua carreira, também foi reconhecido com prêmios literários em diferentes regiões do país.
Para o setor livreiro local, um dos pontos observados na candidatura de Muniz é a sua dupla formação. Como advogado, o novo conselheiro possui familiaridade técnica com a burocracia estatal — uma habilidade considerada estratégica para editores e produtores culturais na hora de debater o formato jurídico de leis de incentivo, exigência fiscal e a elaboração de editais de fomento mais acessíveis à cadeia produtiva.

O peso da votação e os próximos passos
A diferença de 48 votos a 5 indica um forte consenso em torno do nome de Muniz, refletindo uma mobilização da capital e do interior para a estruturação de um plano pragmático para a área. O resultado aponta para uma demanda da classe literária amapaense por uma gestão focada nas perspectivas econômicas e culturais do setor.
Para o biênio 2026/2028, as pautas prioritárias do Setorial deverão envolver:
Estruturação de fomento: Criação e aprimoramento de editais que contemplam todas as etapas do livro, desde o pagamento de autores, preparadores e capistas, até a impressão e distribuição.
Acesso e difusão: Fortalecimento do ecossistema de bibliotecas e feiras literárias no estado, essenciais para a formação de público leitor.
Integração nacional: Desenvolvimento de mecanismos que facilitam a exportação de literatura produzida no Amapá e na Amazônia para outros centros comerciais do país, superando barreiras de distribuição.
A turma de Bruno Muniz no CEPC/AP oficializa a transição setorial, que agora passa a ser conduzida por um perfil que une a produção literária ativa ao conhecimento técnico-jurídico, elementos centrais para a negociação de políticas públicas no atual ecossistema do mercado de livros.
