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Artistas visuais apresentam performances e provocam debate sobre gênero e raça em escola pública de Macapá

  • juliarojanski
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Texto: Mary Paes

Os professores Bruno Chagas e Luciana Pereira, do Ensino Médio da Escola Estadual Professora Jacinta Maria Rodrigues de Carvalho, no bairro Vale Verde, em Macapá, trazem para a disciplina eletiva Relações Étnico-Raciais e de Gênero o tema “Preto, minha cor”. A proposta busca promover, entre os estudantes, reflexões sobre preconceito, diversidade, identidade e as estruturas de poder que atravessam a sociedade contemporânea.


Dentro dessa perspectiva, o artista performer Nau Vegar, coordenador geral do projeto Mizura Performance, foi convidado para apresentar o “VENTO”, uma performance relâmpago que antecede a Mostra Mizura. A ação integra uma série de intervenções artísticas que acontecem de forma itinerante — em escolas, espaços públicos, comunidades ribeirinhas, na capital, no interior do estado e até em outros estados.



Além de Nau Vegar, a performer Juliane Monteiro também participa da programação com a obra “Rubro-Rubor”, que propõe uma experiência silenciosa, simbólica e visceral.

Para Nau Vegar, a performance é um território onde o corpo deixa de ser apenas presença e se torna linguagem ativa de enfrentamento. “O corpo, na performance, não é neutro: ele carrega marcas históricas, sociais e políticas. Quando ocupa o espaço, ele evoca memórias, denuncia violências e rompe silenciamentos. É um corpo que tensiona, que incomoda e que se recusa a permanecer submisso às estruturas que historicamente o oprimem”, destaca o artista. Segundo ele, suas obras dialogam diretamente com questões como a violência contra a mulher, o silenciamento e a necessidade de ruptura com padrões patriarcais enraizados.


O “VENTO” — nome derivado da palavra “evento” — traduz essa efemeridade: uma ação que passa rapidamente, mas deixa marcas profundas. O conceito é inspirado no coletivo Corpos Informáticos, de Brasília, e propõe justamente essa ideia de algo que atravessa o espaço como um vento — breve, mas transformador.


Vaso de Barro


Na performance “Vaso de Barro”, Nau Vegar sobe em um pequeno banco e, ao som da música Homem com H, quebra, um a um, 12 vasos de barro. Cada peça carrega palavras que evocam o machismo, simbolizando a ruptura com estereótipos patriarcais e a desconstrução de violências naturalizadas.


Rubro-Rubor


Já em “Rubro-Rubor”, Juliane Monteiro constrói uma intervenção que desloca o vermelho — cor historicamente associada ao feminino — para uma dimensão inquietante. A obra transforma o que poderia ser apenas estética em denúncia. O vermelho, nesse contexto, deixa de adornar e passa a revelar: torna-se símbolo e sintoma de violências que marcam corpos femininos.


A performance também provoca uma reflexão sobre a repetição constante de notícias de violência contra mulheres, que pode gerar uma perigosa anestesia social, tornando o horror invisível. Sem oferecer respostas fáceis, a obra confronta o público com essa realidade.


Ficha Técnica – Mizura Performance


Produtor e coordenador geral: Nau Vegar

Organização: Nau Vegar, Ingrid Ranna, Natacha Barros, Mary Paes, Claudia A. Flor D’Maria

Fotos: Mary Paes, Eudes Vinicius, Nau Vegar

Identidade visual: Natacha Barros

Assessoria de imprensa: Mary Paes


Serviço


Evento: Performances como instrumento de debates e reflexões

Data: 29 de abril

Hora: 9h

Local: Escola Estadual Professora Jacinta Maria Rodrigues de Carvalho – Rua da Marinha, s/n, Vale Verde, Macapá (AP)


Obs.:

Mizura Performance 2026 está com inscrições abertas para recebimento de Vídeo-performance de artistas nacionais e internacionais. Link de inscrições na bio do perfil @mizura.performance (Instagram). O evento ocorre em julho.


Fotos: Mary Paes e Nau Vegar


Texto: Mary Paes

Atendimento à imprensa:

Mary Paes – (96) 99179-4950

 
 
 

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