“Amazônia Xamã” leva o cinema amapaense ao topo e conquista dois prêmios nos Estados Unidos
- juliarojanski
- há 2 horas
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A força das histórias amazônicas voltou a atravessar fronteiras. O curta-metragem amapaense “Amazônia Xamã”, dirigido pelo cineasta Rodrigo Pedroza, conquistou dois importantes reconhecimentos no Nature Without Borders International Film Festival (NWBIFF), nos Estados Unidos. A produção recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção, colocando o audiovisual do Amapá em evidência no cenário internacional.
A conquista representa um novo capítulo na trajetória do filme, que vem encontrando espaço em festivais fora do Brasil e chamando atenção pela maneira como transforma elementos da identidade, da ancestralidade e da espiritualidade amazônicas em narrativa cinematográfica. Com os novos títulos, “Amazônia Xamã” chega à marca de três premiações internacionais. Antes do reconhecimento no NWBIFF, a obra já havia sido premiada no Indie Film Fest, também realizado nos Estados Unidos, onde conquistou dois reconhecimentos de Melhor Filme. Ao todo, são duas premiações na categoria de Melhor Filme e uma de Melhor Direção.
Para Rodrigo Pedroza, a repercussão internacional demonstra que histórias nascidas no Amapá podem dialogar com públicos de diferentes lugares sem abrir mão de suas raízes.
“É uma conquista que ultrapassa a minha trajetória pessoal. É também um reconhecimento para o audiovisual amapaense e para todos que acreditam na potência de contar nossas próprias histórias. O filme mostra que uma narrativa construída a partir da Amazônia pode alcançar o mundo e estabelecer conexões com diferentes públicos”, destaca o diretor.
Uma Amazônia do futuro
Longe de apresentar apenas uma representação tradicional da floresta, “Amazônia Xamã” constrói uma visão futurista e distópica do território amazônico. A trama imagina um cenário em que a floresta sofre com a devastação provocada por robôs garimpeiros. Nesse universo de destruição tecnológica, o protagonista Raoni, último sobrevivente de sua etnia, enfrenta uma batalha que vai muito além da sobrevivência. Sua luta envolve a preservação da memória, da ancestralidade e dos conhecimentos transmitidos por gerações. A mistura entre ficção científica, identidade amazônica e questões relacionadas à preservação ambiental cria uma narrativa que parte de uma realidade regional para discutir temas capazes de alcançar diferentes públicos.
Do Amapá para o circuito internacional
A trajetória de “Amazônia Xamã” não se limita às premiações nos Estados Unidos. A produção também foi selecionada como semifinalista do Rotterdam Independent Film Festival, na Holanda, ampliando sua circulação pelo circuito internacional de cinema independente. No Brasil, o filme segue construindo seu caminho pelos festivais. A produção, que teve sua estreia oficial em Macapá em dezembro de 2025, está classificada para disputar o Festival Independente de Curtas de Ficção do Amapá (FICÇA) e também será exibida no Festival Equinocial, em Macapá. A circulação da obra ajuda a ampliar a visibilidade de uma produção audiovisual que nasce na Amazônia e apresenta ao mundo personagens, paisagens, conflitos e perspectivas construídos a partir do próprio território.
Cultura e incentivo à produção local
“Amazônia Xamã” também é resultado da importância das políticas públicas de incentivo à cultura. O projeto recebeu patrocínio do Governo Federal por meio da Lei Paulo Gustavo, com recursos geridos pela Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult-AP), e conta com produção da Cia Viva. Ao alcançar festivais e premiações internacionais, o curta evidencia como investimentos na produção cultural podem contribuir para que artistas e realizadores de regiões historicamente menos representadas no circuito cinematográfico tenham condições de produzir e apresentar suas próprias narrativas.
Entre a ancestralidade e um futuro marcado pela tecnologia, “Amazônia Xamã” encontra justamente na identidade amazônica a força de sua história. E, ao conquistar o público e os júris fora do país, mostra que o cinema produzido no Amapá tem não apenas uma história para contar, mas também um lugar cada vez mais significativo no mapa do audiovisual mundial.




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