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  • Foto do escritorSilvio Carneiro

Virando o Zezeu na Flip 2023

A "euquipe" d'O Zezeu acompanhou a escritora Lulih Rojanski na 21ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty e também tentou registrar a maioria das coisas bacanas que rolaram por lá...



Sim, nós tentamos. Mas não é fácil uma revista eletrônica independente cobrir um evento com a magnitude e complexidade que da Flip. E como não estamos aqui para chorar pitangas, vamos falar de tudo aquilo que, na medida do possível, deu para registrar.


Paraty foi fundada há 356 anos, em 1667, e hoje possui cerca de 44 mil habitantes, de acordo com o censo do IBGE de 2021. Só que essa população praticamente duplica ou até triplica durante a Flip que, este ano, realizou sua 21ª edição. E como disse a escritora Adriana Vieira Lomar (vencedora do Prêmio Kindle 2022) em uma das mesas temáticas da programação paralela, a Flip é uma imensa bolha - no sentido de que o evento se concentra no centro histórico; é uma festa turística; mas todo o resto da cidade parece que não sabe nada de nada sobre o que acontece ali. Os moradores tocam a vida normal e a sensação que dá realmente é de que só quem se importa com o evento é quem vem para o evento. Tanto que a maioria das pessoas não fala "eu vou/vim pra Paraty", falam "eu vou/vim pra Flip". E isso, em princípio, pode parecer que não importa; mas faz muita diferença. Porque, mesmo superaquecendo a economia do município, nem a prefeitura de Paraty, nem o governo do estado do Rio de Janeiro parece que dão muita bola para o evento, fazendo com que a cidade não tenha a estrutura adequada para receber um contigente de turistas como o que vai para a Flip. A cidade quase não tem Uber, 99 ou outros aplicativos. Os poucos carros de aplicativo que circulam só atendem pela Uber _ sério, se muito tiver são uns 10, no máximo _ e, pasmem, a maioria não obedece a tarifa do aplicativo se o destino for para onde eles consideram longe. Geralmente, eles negociam o valor da corrida "por fora", assim como os táxis, que não cobram por bandeirada, mas por uma "tabela fixa" (imaginária), ou seja, cobram o que quiserem.


Outra prova da falta de estrutura foi a falta de energia que apagou toda a cidade no segundo dia da festa. Claro que a programação principal não foi afetada, pois as três tendas principais _ o auditório principal, o auditório da praça e a tenda da livraria/auditório da quadra _ eram equipadas com geradores. Mas até os banheiros químicos foram afetados com a falta de energia. Energia que faltou graças a um raio que caiu durante uma chuva. E a chuva foi outro problema, pois todos os anos a Flip acontecia no mês de julho. Mas este ano, devido a atrasos na liberação dos recursos federais, resolveram mudar a data para novembro, época em que, segundo os moradores, é de chuva. E, com isso, quase que a Flip escorre pelo ralo.

Este ano, a aposta dos organizadores foi na diversidade _ de gênero (sexual e literário) e raça. A programação oficial homenageou a jornalista, dramaturga, poeta, tradutora, cartunista e crítica cultural Patrícia Galvão, a Pagu. E todas as mesas temáticas giraram em torno de sua obra. Dos chamados "medalhões", os grandes nomes conhecidos pela mídia, destacaram-se apenas o Itamar Vieira Júnior, autor do premiadíssimo Torto Arado e Manuela D'ávila, jornalista, política e criadora do Instituto E Se Fosse Você, voltado ao combate da desinformação e das redes de ódio. Os demais, apesar de seus trabalhos relevantes não eram figuras assim tão conhecidas do grande público. Isso fez com que a programação principal, no fim das contas, fosse chata e maçante...

O bom da Flip 2023 mesmo foram as mais de 40 programações paralelas. Estas sim, trouxeram queridinhos da mídia tais como, o jornalista Xico Sá; o apresentador e comediante Fábio Porchat; a atriz Andréa Beltrão; as psicanalistas Ana Suy, Maria Homem e Vera Iaconelli; o neurocientista Sidarta Ribeiro; a escritora Conceição Evaristo; a professora Rita Von Hunt e o deputado federal André Janones.



Mas ainda assim, o maior destaque dessa programação paralela ficou a cargo das editoras independentes que se organizaram em casas para apresentar seus livros e autores que estão começando a aparecer no mercado editorial e nos grandes prêmios literários que acontecem de norte a sul do Brasil. É o caso, por exemplo, da Casa Gueto, que reuniu 25 editoras independentes e realizou diversos lançamentos, incluindo as coletâneas Antologia Casa Gueto - Homenagem à Tula Pilar e Imagens de Coragem, ambas pela Editora Patuá e que trazem, entre outros, textos da escritora Lulih Rojanski.




Falando nela, Lulih participou dos lançamentos das duas coletâneas e também fez o lançamento individual de seu primeiro romance Feras Soltas, publicado em agosto também pela Patuá.

Agora, é esperar a próxima Flip que, segundo os organizadores já anunciaram, em 2024 será realizada em setembro, voltando, finalmente ao período normal (julho) apenas em 2025. Esperamos que até lá as coisas melhorem em todos os aspectos.



Os números da Flip 2023:


  • Espaços parceiros: 44

  • Taxa de ocupação das pousadas: 84%

  • Estimativa de pessoas em Paraty: 27 mil pessoas

  • Pousadas parceiras: 86

  • Editoras parceiras: 14

  • Embaixadas e consulados: 3

  • Praça aberta: 17 espaços

  • Número de acessos no Youtube até o momento: 24.057

  • Recurso aprovado na Lei Rouanet = R$ 9,1 milhões

  • Recurso captado via Lei Rouanet até o momento = R$ 5 milhões

  • Outras captações até o momento = R$ 4 milhões

  • Custo da 21ª Flip = R$ 10 milhões

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