Neste domingo, o Amapá se veste de verde e rosa para brilhar na Sapucaí
- Silvio Carneiro
- há 31 minutos
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Está chegando o grande dia. Neste domingo, acontece o desfile da Estação Primeira de Mangueira com o samba-enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju - O Guardião da Amazônia Negra".
A tradicional escola de samba carioca entra na avenida Marquês de Sapucaí por volta de 1h30 da madrugada do domingo para segunda-feira e promete mostrar para o mundo toda a riqueza do estado, "do Oiapoque ao Jari".

Quem foi Mestre Sacaca
Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca, nasceu em 1926 em Macapá, no Amapá, e dedicou a vida à preservação da cultura tucuju e à medicina natural da floresta amazônica. Curandeiro, marabaixeiro e fundador do antigo Parque Florestal de Macapá (hoje Bioparque da Amazônia), ele preparava garrafadas, chás e unguentos, sendo chamado de "doutor da floresta". Casado com Madalena Souza, a primeira Miss Amapá, teve 14 filhos e atuou como Rei Momo por mais de 20 anos, impulsionando blocos e escolas de samba locais.
Joãozinho Gomes, o poeta amapaense
João Batista Gomes Filho, nascido em 1957 em Belém do Pará, mudou-se para o Amapá em 1991 e se tornou um dos principais compositores da região, com 95% de sua obra inspirada nas peculiaridades locais. Poeta prolífico, publicou em revistas como a da Academia Brasileira de Letras, e compôs centenas de canções gravadas por artistas nacionais. Sua parceria no samba 15 da Mangueira destaca a integração harmoniosa com outros compositores, criando um hino que flui com leveza e verdade.

O concurso do samba
A Mangueira recebeu 22 sambas concorrentes: seis selecionados em Macapá por uma delegação da escola e 16 no Rio de Janeiro, culminando em quatro finalistas apresentados na quadra lotada. A parceria vencedora, incluindo Joãozinho Gomes, foi anunciada na madrugada de 28 de setembro de 2025, após shows inéditos, com a Nação Verde e Rosa vibrando.

Apoio do Governo do Amapá
O Governo do Amapá, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), incentivou o enredo com R$ 10 milhões em fomento cultural para o projeto "Amapá, terra das águas e da liberdade: a Amazônia negra brasileira", financiando o desfile na Sapucaí. Articulado pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre e o governador Clécio Luís, o aporte tem o objetivo de celebrar o legado afro-indígena do estado.
Conheça o samba
Finquei minha raiz norte
A letra inicia fincando raízes no extremo norte brasileiro, do Oiapoque ao Jari, onde o Amazonas regateia com turé, urucum e mangueira centenária, evocando a herança quilombola e palikur.
Çai erê, babalaô, mestre sacaca
Invocação ao curandeiro sacaca, babalaô e preto velho, chamado do meio do mundo para a mata, simbolizando o transe ritualístico e a conexão com ancestrais.
Salve o curandeiro
Homenagem ao "doutor da floresta" que macera folhas, casca e erva para garrafadas curativas, defumando e consagrando com saravá.
Negro na marcação do marabaixo
Celebra o marabaixo afro-amapaense, com ladainhas dos porões elevadas ao Espírito Santo e São José de Macapá, erguendo o manto protetor.
Sou gira, batuque e dançadeira
Expressa a dança e o toré, com a mão de couro do amassador, unindo quilombo, favela e aldeia na fé ancestral.
Encantaria de benzedeira
Retrata a benzedeira amazônica eternizada no barro, fruto e madeira, com história viva do povo tucuju.
Yá, Benedita de Oliveira
Invoca Yá Benedita, mãe do Morro de Mangueira, abençoando com o canto do uirapuru e o jeito tucuju.
A magia do meu tambor
A magia dos tambores encanta no jequitibá, juntando povos daqui e de lá na Estação Primeira do Amapá.
Chegou, a Mangueira chegou
Clímax com a chegada da Mangueira à Sapucaí, ecoando o hino da Amazônia Negra.
Pronto. Agora é só ligar a TV ou, se puder, ir à Sapucaí para ver a Nação Mangueirense homenagear a Amazônia Negra. Saravá, Mangueira! Saravá, Amapá!





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