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  • Lulih Rojanski

Depois da chuva, o poema



Quando Patrícia Andrade pisou em Macapá pela primeira vez, talvez tenha pensado que não passaria no lugar mais que uma chuva. Belém, sua terra de origem, estava tão entranhada em sua existência, que provavelmente ela não conseguiu perceber imediatamente o poder do “lugar da chuva”, onde a samaúma é a mãe da floresta e os rios são habitados por caruanas. Quando Patrícia deu por si, muitas chuvas haviam encharcado os caminhos que teve que percorrer, e viu que por onde a chuva vai a vida se fertiliza, e deixou que suas raízes se esparramassem pelo solo acolhedor da nova terra. Soube sempre dividir seu coração: para Belém a saudade, para Macapá novos amores, para Belém sua história, para Macapá a arte, para Belém a família, para Macapá um filho, a divina criação.


Patrícia Andrade, hoje conhecida como a poeta Pat Andrade, mora em Macapá há 24 anos. É também artista plástica e produtora cultural, foi repórter de um dos jornais mais conceituados do Estado, a Folha do Amapá, por vários anos, e acima de tudo, é uma militante diligente da literatura. Desde 2003 publica livros artesanais de poemas que a tornaram uma das poetas mais conhecidas de Macapá. São mais de 30 livros, todos ilustrados, que ela mesma constrói com uma técnica particular de confecção, e que ela mesma comercializa, no contato direto com o leitor. Faça chuva ou faça sol.



Pat é colaboradora regular do site De Rocha e membro do Coletivo Urucum, de artistas plásticos. Visita escolas, universidades e participa de eventos literários e culturais, ministrando oficinas, levando exemplares de seus livros, e muitas vezes, exemplares dos livros de outros autores amapaenses, para difusão da literatura produzida no Amapá. Diversos poemas seus estão publicados em coletâneas e revistas digitais.


O mais novo livro de poemas de Pat Andrade, Dias de Poesia, será lançado ainda no mês de fevereiro. Os exemplares terão capas únicas, feitas uma a uma, e com um poema para cada dia do mês. “Além de um poema extra, para meses que parecem que nunca vão acabar”, destaca Pat, e acrescenta que este novo trabalho tem um diferencial, ele traz o ISBN, ou seja, o registro na Biblioteca Nacional.


Quanto aos poemas, a poeta diz que eles “têm muito do que eu vejo no cotidiano, mas também reflete como me sinto em relação a esse cotidiano. Está longe de ser um livro com poemas bonitinhos. É um livro que se refere aos dias mesmo, onde os sentimentos às vezes são bons, outras vezes nem tanto. E isso se reflete nos poemas.”


Pat Andrade é, acima de tudo o que foi dito, uma mulher. E apenas por isso já tem muito a dizer. Cabe-nos ouvir. Cabe-nos ler Pat Andrade. Cabe-nos ler mais mulheres!



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