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Cultura Amapaense Sob Pressão: PMM é Alvo de Críticas por Política de Esvaziamento Cultural

  • Foto do escritor: Silvio Carneiro
    Silvio Carneiro
  • 24 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Um manifesto de repúdio assinado pela presidente da Associação Cultural Marabaixo do Laguinho, Danniela Ramos, reacendeu o debate sobre a falta de compromisso da Prefeitura Municipal de Macapá (PMM) com os setores da cultura, em especial com as tradições culturais afroamapaenses, como o Marabaixo. A crítica surge após uma publicação considerada ofensiva nas redes sociais da prefeitura, que referencia uma “galinha marabaixeira”, despertando indignação por parte de representantes da cultura popular. A peça publicitária faz parte da estratégia de divulgação do show da Turma da Galinha Pintadinha, que acontece neste próximo sábado (26), na Praça Jacy Barata Jucá.








Desrespeito ao Marabaixo: símbolo de fé e resistência

O Marabaixo, expressão imaterial registrada como patrimônio cultural brasileiro, representa a ancestralidade, a espiritualidade e a identidade do povo amapaense. Segundo a nota de repúdio, ao banalizar essa tradição em uma postagem caricata, a gestão do prefeito Dr. Furlan reforça um padrão de desvalorização das raízes afro-indígenas locais.

A presidente da Associação Cultural Marabaixo do Laguinho, Danniela Ramos, afirmou que o conteúdo divulgado não apenas desrespeita a tradição, mas contribui para o embranquecimento cultural e a invisibilização das comunidades que mantêm viva essa herança. “O Marabaixo não é brincadeira. É resistência, é fé, é identidade. Não aceitaremos sua banalização,” declarou.


Outros setores também ignorados

A crítica, no entanto, não se restringe ao Marabaixo. A ausência de políticas públicas efetivas tem afetado diversos segmentos da cultura amapaense. Representantes do Setorial do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas relataram que só conseguiram espaço na programação do Macapá Verão após intensa mobilização e pressão popular. Mesmo assim, muitos artistas alegam que cachês referentes a eventos realizados desde o ano anterior seguem pendentes de pagamento.


Desigualdade no tratamento de atrações culturais

Enquanto os artistas locais enfrentam dificuldades para receber pelos seus trabalhos, grandes atrações nacionais e internacionais têm sido contratadas com cachês adiantados e ampla visibilidade nos canais oficiais da PMM. A prática levanta questionamentos sobre a prioridade da gestão pública no fomento à cultura regional e a tendência populista de promover espetáculos massivos em detrimento da valorização das tradições locais.


O que dizem os artistas

“A gestão atual parece usar a cultura apenas como entretenimento de massa, não como expressão da nossa identidade. Quando se ignora o Marabaixo e outras tradições, não se trata apenas de desorganização — é apagamento cultural,” afirma um artista local que preferiu não se identificar por receio de represálias.


Cultura não se cala

A mobilização dos marabaixeiros e de outros setores mostra que, apesar do descaso institucional, a cultura amapaense continua vibrante e disposta a resistir. A nota pública é um chamado à população e às autoridades para que assumam a responsabilidade pela preservação das raízes culturais do Amapá — não como peça decorativa de calendário turístico, mas como patrimônio vivo que merece respeito.


A nota na íntegra


NOTA DE REPÚDIO


Nós, cidadãos e cidadãs, marabaixeiros e marabaixeiras, comprometidos com a valorização da cultura afroamapaense, manifestamos publicamente nosso repúdio à forma desrespeitosa com que o Marabaixo expressão cultural, ancestral e identitária do povo do Amapá vem sendo tratado pela PREFEITURA MUNICIPAL DE MACAPÁ/PMM.


A recente publicação nas redes sociais, fazendo referência a uma “galinha marabaixeira” não apenas banaliza, mas descaracteriza completamente o sentido, o ritmo e a simbologia do Marabaixo. Tal conteúdo sendo publicado em redes de maior alcance nacional, é um escárnio amplificado da nossa cultura. É inadmissível que manifestações populares tão profundas sejam tratadas como piada ou entretenimento vazio, em vez de ferramenta pedagógica e de valorização cultural.


É lamentável que, em vez de usar a força das redes sociais para difundir o Marabaixo com responsabilidade e respeito, com ilustrações de nossas crianças marabaixeiras, nossos mestres e mestras, nossas comunidades, o Prefeito Furlan opta por um caminho que enfraquece a tradição e promove o embranquecimento e o descaracterização desse bem histórico imaterial do Brasil.


A ausência de políticas públicas eficazes, de fomento e de valorização do Marabaixo por parte da PMM é notável. Pior do que o descaso é a tentativa de invisibilização de nossa cultura mãe. A indiferença do Prefeito e de sua gestão diante dessa e de outras situações apenas confirma a falta de compromisso com as raízes culturais do povo amapaense.


Reafirmamos: o Marabaixo não é brincadeira. É resistência, é fé, é identidade. Não aceitaremos sua banalização!


MARABAIXO RESISTE


Danniela Ramos

Marabaixeira, Presidenta da Associação Cultural Marabaixo do Laguinho, Acadêmica Imortal da Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo e detentora dessa tradição.

 
 
 

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