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As Feras Invisíveis da Solidão

  • juliarojanski
  • 14 de jan.
  • 1 min de leitura

Texto: Wilson Loria

FERAS SOLTAS, de Lulih Rojanski, me fez chorar. Além de ser imensamente bem escrito, de uma poesia linda e emotiva, o livro traz a pandemia da monstruosa Covid-19 de volta. Mas, felizmente, desta vez, apenas nas páginas deste livro. São três personagens que, mesmo antes da doença (que, sem dúvida, é o quarto personagem desta história) já viviam separados do mundo.


Obrigados, então, a se isolarem forçosamente como todos no planeta, esta solidão passa a ser ainda mais visível em suas vidas. Mais palpável. Manuela, Sam e Boni são três pessoas ligadas por parentesco. Sam e Manuela são casados e Boni (irmão de Manuela e por ser esquizofrênico requer um cuidado maior e uma paciência descomunal), quer queira quer não, torna-se o "filho" do casal. Até o momento que esse "filho", incontrolável e sorrateiramente, escapa de casa e vai direto à uma outra onde se encontra com pessoas contaminadas pela doença.


Daí, então, a história destes três sofre uma mudança que, ouso dizer, infeliz e mortal. Para este leitor, apesar dos dois personagens masculinos citarem que são feras soltas, as que dão título à obra de Lulih Rojanski, são as MEMÓRIAS que estes personagens nos revelam e, como exemplo disso, transcrevo as próprias palavras de Manuela: "Se pudéssemos impedir as memórias de chegar quando bem querem, manteríamos muitas delas presas sob as trancas do inconsciente". Como as pandemias das quais não temos controle nenhum quando surgem do nada. Leitura obrigatória.

 
 
 

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