A Voz da ResistĂȘncia: Ivaldo Souza e o Afrologia Tucuju no Dia da ConsciĂȘncia Negra
- Silvio Carneiro
- 20 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

No Dia Nacional da ConsciĂȘncia Negra, celebrado hoje (20), dedicamos este momento para refletir sobre a luta, a resistĂȘncia e as contribuiçÔes da população negra na construção do Brasil. Esta data, que homenageia Zumbi dos Palmares, sĂmbolo mĂĄximo da resistĂȘncia contra a escravidĂŁo, Ă© tambĂ©m um convite Ă valorização da cultura e da identidade negra em todas as suas manifestaçÔes. Ă nesse espĂrito de celebração e conscientização que entrevistamos o professor e escritor amapaense Ivaldo Souza, criador do coletivo Afrologia Tucuju, que tem desenvolvido um importante trabalho voltado para a valorização e fortalecimento da literatura afro no AmapĂĄ, enfrentando desafios e abrindo espaços para novas vozes negras na literatura nacional.
O Zezeu - Qual a importùncia da literatura afro para a valorização da identidade e ancestralidade do povo negro, especialmente no contexto do Amapå?
Ivaldo Souza: Dependendo do que a literatura afro vem abordando ela pode ajudar o povo negro a se enxergar com dignidade, força e histĂłria prĂłpria. Ela recupera memĂłrias e vivĂȘncias que muitas vezes foram apagadas, fortalecendo o sentimento de pertencimento. No AmapĂĄ, onde a presença de negros Ă© grande, essas narrativas ajudam na construção de identidade e subjetividade do negro, aproximam as pessoas de suas raĂzes, aumenta a auto estima e oportuniza a fugir do branqueamento que historicamente o povo negro vem passando.
OZ- Quais sĂŁo os maiores desafios enfrentados pelos escritores afrodescendentes no AmapĂĄ para publicar e divulgar suas obras?
IS: A falta de polĂticas pĂșblicas de apoio, valorização e aquisição de obras literĂĄrias com temĂĄticas negras.

OZ- Como o coletivo Afrologia Tucuju contribui para fortalecer a presença da literatura afro no cenårio literårio local e nacional?
IS: Podemos considerar que nosso movimento foi quem deu inĂcio a este estilo literĂĄrio, "afroa-mamapese", com uma preocupação com a educação e a construção das subjetividades do negro - isso de forma cientifica e lĂșdica. Em nĂvel nacional, sempre participamos de apresentaçÔes em seminĂĄrios e congressos nacionais e internacionais falando da forma literĂĄria como ferramenta pedagĂłgica de combate ao preconceito etnico racial.
OZ- De que forma a literatura afro pode influenciar a educação e o combate ao racismo nas escolas do Amapå?
IS: A literatura afro pode mudar muito o jeito como a escola do AmapĂĄ trabalha identidade e respeito. Quando as histĂłrias de autores negros entram na aula, os alunos passam a se ver nos livros e entendem melhor de onde vĂȘm, o que ajuda a combater preconceitos que muitas vezes sĂŁo naturalizados. Esses textos tambĂ©m oferecem aos professores novas maneiras de conversar sobre racismo e diversidade sem cair em discursos prontos. Ao valorizar vozes e vivĂȘncias negras, a escola cria um espaço mais justo, onde todos aprendem a reconhecer e respeitar a histĂłria do outro. Assim, a literatura afro vira uma ferramenta real de transformação no cotidiano escolar. e principalmente ajuda na construção de identidade, os alunos passam a gostar de si mesmo sua auto estima cresce, passando a acreditar em seu potencial.
OZ- Quais são seus projetos futuros para ampliar o alcance da literatura afro-amapaense e incentivar novas geraçÔes de escritores negros?
IS: Ampliar os leitores e escritores. Capacitå-los para que possam perceber o poder da literatura na construção do ser humano. Atualmente estou fazendo isso com alunos do ensino médio das regiÔes distantes de Macapå. Jå consegui publicar 4 livros com alunos ribeirinhos e quilombolas e estou em fase de conclusão de mais 2 livros apenas com alunos.
