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Ademir Pedrosa

Ademir Pedrosa, 1955.  Natural de Juazeiro do Norte, Ceará, veio para Macapá ainda bebê, com seis meses, e cresceu no Amapá. Na adolescência acompanhou os pais e foi morar nas cidades de Itaituba e Santarém, no Pará, onde conheceu os garimpos, sua primeira profissão com pagamento, devido ter que deixar a escola para trabalhar, e se afastou temporariamente da escola. No garimpo, lia à luz de lamparina, os clássicos da literatura brasileira, e ainda estudava a língua portuguesa.

 

Iniciou nas atividades culturais desde cedo, quando adolescente já escrevia poemas e crônicas. Com seus 15 anos já escrevia para o Jornal da Província do Pará. Em Itaituba foi preso e fichado pelo SNI por escrever o que o regime discricionário à época chamava de subversivo. Mas eram artigos críticos sobre o período político em que se encontrava o Brasil. Quando voltou para Macapá, por volta de 1986, continuou a trabalhar com venda e compra de ouro, mas o gosto pela literatura só aumentava e continuava a escrever poemas, crônicas e contos. Várias vezes foi aprovado no vestibular para o curso de Letras na Unifap, mas não tinha o término escolar, e fez supletivo de 1º grau e passou, mas no supletivo de 2º grau, em uma disciplina não foi aprovado, mas teve ajuda de amigos e conseguiu passar no exame depois, assim em 1993, entrou para a Unifap, para o curso de Letras. Formou-se cinco anos depois.

 

É habilitado em língua portuguesa, literatura e francês. A canção Dez – Zouk franco-brasileiro, em parceria com Zé Miguel, e gravação pelo Grupo Negro de Nós, tem a letra em francês e português. Em Macapá, venceu o primeiro concurso de poesia realizado pela prefeitura de Macapá, na década de 90, com a poesia “Poço do Mato”, que acabou virando uma composição em parceria com Osmar Júnior. O local é uma das lembranças de infância mais presente no coração do artista, foi onde criou passarinhos, fez amizades, conheceu Mestre Sacaca e sua família.

 

Concorreu a 3 concursos de contos realizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e ganhou fazendo parte da coletânea dos Contistas da Amazônia. Participou de concursos literários em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde fez parte de uma antologia. Em Minas Gerais, também teve uma crônica sua numa antologia, com livro de crônicas que foram lançadas. Em São Paulo, pela Fundação Cassiano Ricardo, ganhou na categoria de poesia. Em Goiás ganhou com conto, e na Bahia também ganhou com conto, e participou do concurso literário. Já em Roraima, esteve participando de encontro de escritores, com grandes nomes como Aníbal Beça e Tiago de Melo, Eliakin Rufino, onde representou a literatura amapaense.

 

Ademir Pedrosa esteve na cidade de Frankfurt, na Alemanha, convidado pela UFPA para expor suas obras literárias num encontro de escritores, com apoio da Prefeitura de Macapá, do então prefeito Papaléo. Lá ficou ao lado de Ubaldo Ribeiro, Inácio de Loyola, Ziraldo e outros representando a literatura brasileira. Alguns de seus trabalhos já serviram para análise em artigo científico Unifap Revista de Estudos Acadêmicos de Letras (217 Revista de Estudos Acadêmicos de Letras Vol. 10 Nº 02 ).

 

Em 1995, foi presidente* do Conselho de Cultura do Amapá, onde trabalhou junto com os outros membros, como professora Zaide Soledade, Professor Munhoz, Gilberto Semblano, Guilherme Jarbas, Elson Martins, Clécio Vieira, Manoel Bispo, Alcinea Cavalcante e Márcia Correa. Durante o período 2002 foi membro e também diretor do Projeto Sabiá, vinculado à Secretaria Estadual de Cultura, levando música regional para as escolas do Amapá, apresentando os artistas aos alunos, desenvolvendo a valorização da música local e despertando o interesse deles pela cultura. Compositores como Amadeu Cavalcante, Verônica do Marabaixo, Joãozinho Gomes, Valmilhomem, Fernando Canto, Osmar Júnior, Zé Miguel, Sobral Santos, Ronery Brito, Marcelo Dias também foram membros.

 

Sua paixão por festivais de música, começou no fim da década de 90, quando amigos compositores incentivaram a fazer letras para as canções, pois sua poesia era muito melódica. Sua paixão por festivais de música, começou no fim da década de 90, quando amigos compositores incentivaram a fazer letras para as canções, pois sua poesia era muito melódica. E foi com um poema Bárbaro Soneto** que começou de vez sua carreira de compositor, como letrista, e com essa canção levou o primeiro lugar no "I Festival da Canção Amapaense", parceria com músico Enrico Di Miceli e interpretada pela cantora Patrícia Bastos, em 1997. Ganhou melhor letra com sua composição, e também obteve o 3º lugar, nesse mesmo festival, com a canção Apuí, de sua autoria, Joãozinho Gomes e Osmar Júnior, e interpretada por Verônica do Marabaixo.

 

A partir daí, não parou mais de participar de festivais de música, levando a música do Amapá para vários outros cantos do Brasil, como Minas Gerais, Porto Alegre, São Paulo, Pernambuco, Amazonas, Pará, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Roraima. Já foram cerca de 180 festivais, e alguns vencidos. Dois festivais são marcantes, um no Rio Grande do Sul, Festival Mercosul, onde levou uma canção autóctone chamada Nave Protonotária, um batuque que tomou conta do festival e do coração dos gaúchos, a composição em parceria com Cléverson Baía, um jovem talento que estava surgindo ainda, foi quem interpretou, com a participação do grupo Raízes do Bolão e a dança foi apresentada por Piedade Videira, hoje doutora e professora da Unifap. Ademir guarda na lembrança, foi em dia de São José, padroeiro do Amapá, antes da apresentação o grupo Raízes do Bolão saudou com fogos o santo. “Foi um dia histórico para nossa cultura”, relembra.

 

Outro momento incrível foi o Festival Fecani, em 2002, na cidade de Itacoatiara, no Amazonas, um dos festivais mais antigos, e no jurado estava Nilson Chaves e grandioso Belchior, que deu canção Língua Brasileira, composição em parceria com Zé Miguel, interpretada por Augusto Hijo, fez o Amapá ficar em primeiro lugar em todas as categorias, melhor canção, melhor letra, melhor interpretação e arranjo. Participou de quase todas as edições do Sescanta-Amapá, de 2003 a 20019, onde fez várias parcerias musicais, com Judas Sacaca, Celine, Sabatião, Hanna Paulino, Alan Gomes, Adriana Raquel, Lady Púrpura, Lula Jerônimo, Ana Garcia, Orivaldo Fonseca, João Amorim e outros. Com a música “Planeta Agalopado” concorreu no Festival Nacional de Música em Minas Gerais, em 2013. Composição de Ademir Pedrosa, Sabatião Pimentel e Orivaldo Fonseca com Interpretação de Naldo Maranhão. Em 2014, esteve no Paraná, cidade de Palmas, participando de Festival da Música, em São Paulo na cidade de Ilha Solteira e Pereira Barreto.

 

Em 2017, sua composição em parceria com músico Danilo José e João Amorim, levando o 2º lugar no 45º Festival Lourenciano de Interpretação da Canção (Flic), em São Lourenço do Oeste, Santa Catarina. Em 2019, ganhou 14º Festival da Música Brasileira de Paracatu, em Minas Gerais, música em parceria com Cássio Pontes e interpretada por Ariel. Em 2020, foi bicampeão, ganhando mais uma vez o Festival, que devido a Covid-19, ocorreu online. Também repetiu a parceria com Cássio Pontes e interpretação de Ariel Moura, que levou o prêmio de melhor intérprete. Recentemente sua canção, A Valsa do Maciço, parceria com Cássio Pontes, participou do Festival de Música de Fortaleza, no Ceará. Este ano de 2021, participou do 38º Fampop, com a canção Claríssima Nudez, em São Paulo. Também este ano participou do Festival de Andrada (Minas Gerais), com a música Chuva dos Deuses da Chuva. Este mês concorreu no Festival de Três Pontas (Minas Gerais), com a música Chuva dos Deuses da Chuva. Os festivais de 2020 e 2021 foram em formato online, devido a pandemia. 

https://seadantigo.portal.ap.gov.br/diario/DOEn1009.pdf?ts=21021510 *https://dicionariompb.com.br/patricia-bastos/dados-artisticos

Ademir Pedrosa
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