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Amapá na avenida: A periferia da Amazônia samba no coração da Mangueira

  • Foto do escritor: Silvio Carneiro
    Silvio Carneiro
  • 22 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Texto de Lulih Rojanski




história de um povo é feita tanto de resistência quanto das alegrias que fortalecem sua autoestima e sua cultura. E o Amapá está vivendo um momento histórico. Quatro sambas de compositores do Estado estão na grande final do concurso de samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira. Isso é muito mais que desfile, é muito mais do que samba. É o Amapá, periférico e geograficamente isolado, mas dono de uma riqueza cultural e natural imensurável, ocupando espaço no maior palco do carnaval brasileiro. Um palco para onde estarão voltados os olhos do mundo inteiro. Sim, ninguém quer perder o desfile da Mangueira.


O enredo de 2026 da verde e rosa será “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. A escolha é, por si só, um gesto de reconhecimento a um dos símbolos mais fortes da identidade amapaense, o Mestre Sacaca, o cientista popular que, com sabedoria ancestral, ensinou gerações sobre a força da floresta e a resistência do povo amazônico.


Que uma escola como a Mangueira se curve diante dessa história é um feito grandioso. Afinal, quantas vezes estados periféricos do Norte são lembrados nos desfiles do Rio de Janeiro? O carnaval carioca, palco global de exaltação da cultura popular, costuma girar em torno de figuras nacionais consagradas e narrativas já conhecidas. Ver o Amapá disputando samba a samba a alma do desfile é afirmar que nossa voz também merece ser cantada.


Os sambas finalistas, assinados por nomes como Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Wendel Uchoa, Joãozinho Gomes e tantos outros, representam o talento individual, a força coletiva de uma cena musical que, mesmo distante dos grandes centros, mantém-se vibrante, original e profundamente ligada à sua terra.


Esta conquista representa uma grande vitrine. É o mundo ouvindo sobre o batuque, o marabaixo, os rios que correm volumosos e repletos de lendas, e as histórias que nascem da mata. Em tempos em que regiões periféricas ainda lutam por visibilidade, ter quatro sambas amapaenses na final da Mangueira é uma vitória política, cultural e simbólica. É o


Amapá sendo celebrado não como coadjuvante, mas como protagonista da narrativa.

Seja qual for o samba vencedor, o recado que já foi dado é o de que o Amapá não é silêncio no mapa do Brasil. É canto, é resistência, é poesia amazônica que atravessa fronteiras.

 
 
 

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